sábado, 1 de outubro de 2011

P34 - Como cheguei a Comandante da CART 2732 (Ex-Cap Mil Jorge Picado)

Com a devida vénia ao Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, publicamos parte de um texto e algumas fotos que o nosso ex-Comandante, Cap Mil Jorge Picado, enviou para aquele Blogue para publicação.


Como cheguei a Comandante da CART 2732

Por Jorge Picado

Sendo um individualista naquela guerra, uma vez terminada a Comissão do BCAÇ 2885 e, por conseguinte ter deixado o comando da CCAÇ 2589, esta sim a minha CCAÇ (ainda que tivesse ficado com a dúvida se os seus nativos me adoptaram ou não) em que permaneci durante 356 dias (24FEV70-15FEV71), apresentei-me no QG em Bissau com uma virtual corda ao pescoço a aguardar o enforcamento.
Ingénuo como sempre, sem conhecimentos pessoais naqueles corredores, quer do QG do CTIG quer do COMCHEFE, mas também sempre avesso a situações de favor (leia-se cunhas), nem o facto de ter encontrado no Clube de Oficiais um Major do Estado Maior mais velho, mas que reconheci por ter feito os estudos secundários no velho Liceu José Estêvão de Aveiro e creio que natural de Albergaria-a-Velha, colocado não sei em qual das Repartições desse QG, nem a ele resolvi recorrer para qualquer arranjinho na minha colocação. Aguardava serenamente que se apiedassem de mim por já ter experimentado um ano de mato e me concedessem o resto da comissão como férias em Bissau.
Mas durante esse período acabei por perder a ingenuidade e expurgar-me das razões éticas ou moralistas sobre as ditas situações de favor. Não tinha aprendido nada com a mobilização de 2 camaradas (do CPC e do ISA) que foram colocados em Bissau, que sempre me deixaram na dúvida, mas com o que ocorreu a seguir, aprendi.
Não tenho qualquer pejo de fazer estas afirmações, porque era o que sentia. O destino obrigou-me a vaguear por aquelas paragens contra a minha vontade. Obrigou-me a desempenhar papéis para os quais nunca senti o mínimo de preparação e muito menos vocação.
Apenas para que possam avaliar estas minhas confidencias acrescento esta nota muito particular. O meu saudoso sogro gastou dois anos a tentar fazer de mim caçador (arte lúdica de que ele tanto gostava, fornecendo-me todo o material em troca apenas da minha companhia nessas andanças) e teve de desistir antes de há terceira aselhice ficar com a filha viúva, mas que ironia, o Governo de então fez-me não só caçador, mas mais… comandante duma Companhia de Caçadores! E esta, hem? Como diria o falecido e conhecido Fernando Peça.

Quem tem amigos assim, não precisa de inimigos
Mas voltemos a Bissau.
Fiquei aboletado, não sei se era este o termo usado, num quarto (daqueles destinados aos oficiais em trânsito, como aliás tinha acontecido quando da minha chegada ao TO) das instalações do Clube de Oficiais.
Nesse mesmo quarto onde pernoitava, por infelicidade… ou talvez não, instalou-se igualmente pouco tempo depois o Capitão X (não me fica bem mencionar o seu nome, ainda que seja daqueles que até hoje nunca esqueci), do Quadro Permanente e Comandante da CART 2732. Como já éramos conhecidos em virtude da actividade do meu período anterior (fundamentalmente desde Novembro de 1970 com a protecção das colunas para Mansabá), naturalmente se estabeleceu o diálogo entre ambos.
Tinha vindo, não para tratar de assuntos da sua unidade, mas para consultas ao HM 241, no intuito, como honestamente me confessou, de tratar da sua saúde.
Assim, pela sua conversa e pelos cantos do Clube lá fui sabendo que havia vagas e até mesmo fora da capital mas num lugar calmo, como naquela época era o CAOP 1 em Teixeira Pinto onde faltava pelo menos 1 Capitão, admitindo eu não ser descabido mais uma vez sonhar com a fuga aos lugares de sofrimento. E o meu camarada de quarto ia-me animando.
Depois de regressarmos das nossas tarefas diárias matutinas, ele da sua deslocação ao Hospital Militar e eu da minha visita ao QG para receber novas sobre o futuro ou acompanhando o Alferes que me tinha substituído na Comissão Liquidatária (CL) da CCAÇ para o ajudar sempre que preciso (a esta distância ainda me causa uma certa indignação a forma como o Exército tratava os individualistas como eu.
Deixei de pertencer à CCAÇ no cruzamento da estrada Mansoa-Nhacra para o Cumuré, onde todo o BCAÇ se instalou até ao embarque, enquanto eu fui directamente para o QG, mas a responsabilidade até ao encerramento da CL continuava a ser minha, como já em Mansabá acabei por constatar!!! Foi outra guerra que tive de travar quase até ao fim da Comissão), era habitual encontrarmo-nos no quarto para uma banhoca antes do almoço e invariavelmente questionava-me:

- Então já tem colocação?
- Não. - Ia sendo a minha resposta.
- E o seu caso? - Indagava eu.
- Vai correndo bem…

A certa altura anunciou-me que para já… seria uma licença para tratamento… não regressando por enquanto ao seu posto…
Enfim, os dias iam correndo, mas como atrás referi esta minha Companhia tinha-me finalmente aberto os olhos, à cautela, e depois de saber quem comandava o CAOP 1 e que se encontrava de férias na Metrópole, abordei o assunto num telefonema para casa. Havia uma possibilidade, desde que um certo intermediário quisesse, de obter aquele lugar em Teixeira Pinto e dessa vez deitei fora todos os escrúpulos do recurso às cunhas.
Afinal não passava dum mero miliciano e sem vocação para tais artes militares e o exemplo do meu camarada de caserna liquidou a minha moralidade.

O Cap Domingos fica a conhecer o seu subtituto
O pior foi no dia 5 de Março, uma má sexta-feira, quando no QG me informaram que tinha sido colocado no DA, além do QO, indo em diligência para a CART 2732 substituir, durante o seu impedimento o respectivo Comandante.
Iam-me caindo os ditos cujos aos pés ao receber logo a respectiva Ordem de Marcha que me meteram nas mãos, para que não houvesse dúvidas.
E eu, que naquela altura já tinha recebido um feed back positivo de que a lança tinha sido metida e a resposta era favorável a uma ida para o CAOP 1, como depois se confirmou. Nem calculam o que mentalmente lhe chamei...
Ao chegar ao quarto e perante a cena do costume, quase sem o encarar só lhe respondi:

- Fui colocado na CART 2732. Sigo amanhã para Mansoa.

Fez-se silêncio. Nem sequer um pedido de desculpa ouvi. Saiu imediatamente como um foguete.
Desapareceu, nunca mais o vi, porque nessa noite não foi dormir ao quarto...
E assim fui comandar durante uns dias a CART 2732.

Junto algumas fotos dessa estadia.

Um abraço
Jorge Picado


Mansabá, 11 de Abril de 1971 - O nosso Capitão Jorge Picado festejou um dos seus aniversários em Mansabá. Nesta foto, da CART 2732, de pé: Alf Mil Bento, Cap Jorge Picado e Alf Mil Rodrigues; à esquerda, sentado no chão, Alf Mil Manuel Casal.

Mansabá, 13 de Abril de 1971 - Dia do batizado da filhota do senhor José Leal. O Cap Jorge Picado à direita da foto

Mansabá, 13 de Abril de 1971 - Dia do batisado da filhota do senhor José Leal. Jorge Picado segura a miúda juntamente com o pai.

Mansabá - Messe de Oficiais no tempo do Cap Mil Jorge Picado, na foto, de pé, ao centro.

(Fotos: Jorge Picado. Legendas: Carlos Vinhal)

Nota de CV:
O Cap Mil Jorge Picado comandou a CART 2732 entre o dia 8 de Março e o dia 29 de Abril de 1971

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

P33 - Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-Alf Mil, CMDT do Pel Rec Daimler 2208 (Mansoa e Mansabá, 1970-1971)



Com a devida vénia ao nosso camarada Ernestino Caniço, ex-Alf Mil, CMDT do Pel Rec Daimler 2208, hoje médico com inúmeras actividades, publicamos estas fotos que documentam a presença da sua Unidade em Mansabá, que esteve adstrita à nossa CART 2732.

PEL REC DAIMLER 2208

Com os “rapazes” do meu Pelotão em Mansabá

Mansabá - Ex-Alf Mil Amaral, ex-Cap. Carreto Maia, ex-Alf Mil Rodrigues, ex-Alf Mil Casquinha e eu próprio.

Mansabá - Com os ex-Alf Milicianos Tavares, Casquinha e Amaral

De Oficial de Dia em Mansabá

Mansabá - Ex-Alferes; (não me recordo o nome), Caria, Casquinha, Amaral e Rodrigues

Com o ex-Alf Mil Rodrigues (CMDT do Pel Caç Nat 57) no Bironque

Mansabá - A alegria dos garotos

Flagelação a Mansabá em 1970MAR19 (?)

Dia de mercado no Quartel de Mansabá

Mansabá - Junto ao Obus 10,5

Mansabá - Num heli para a posteridade

Mansabá - Em traje muçulmano com o ex-Alf Mil Tavares

Junto à Messe de Oficiais de Mansabá

quinta-feira, 21 de julho de 2011

P32 - Os fatídicos dias 5 e 6 de Outubro de 1970 e a morte do Alf Mil José Armando Couto

Após o recente contacto da neta do nosso camarada Alferes Couto, lembrei-me de reproduzir aqui parte de um texto que publiquei no Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné em 18 de Julho de 2006.


Os fatídicos dias 5 e 6 de Outubro de 1970

O Aquartelamento de Mansabá tinha sido atacado na noite de 5 de Outubro. Deste ataque resultou a morte imediata de um soldado milícia e ferimentos ligeiros em alguns militares da nossa CART.

Na manhã seguinte havia que fazer o reconhecimento da zona envolvente, pois o IN esteve muito próximo e normalmente deixava pistas que, de alguma forma, serviam para recolher ensinamentos para futuros ataques. Além de tudo, por vezes, antes de retirar, o IN deixava armadilhas nos itinerários utilizados por nós e pela população.

No dia 6 estava de Piquete o 4.º pelotão, cujo Comandante era o Alferes Couto que tinha, como eu, o curso de Minas e Armadilhas. Do mesmo pelotão fazia ainda parte o Furriel Sousa, também com o curso de minas.

Por motivos óbvios toda a malta se tinha deitado muito tarde e descansado pouco, mas manhã cedo lá saiu o 4.º pelotão para o mato, reforçado com meu, o 3.º, para proceder ao dito reconhecimento.

Decorrido algum tempo após a saída dos pelotões, ouviu-se no aquartelamento um estrondo e quase de seguida, pelo rádio, ouviram-se pedidos de socorro para evacuar um morto e um ferido, vítimas do rebentamento de uma mina antipessoal num carreiro no designado Alto de Bissorã. Saíram imediatamente algumas viaturas para trazerem os sinistrados.

Quando regressaram, traziam o cadáver do Alferes Couto. O ferido era o Alferes Bento, comandante do meu pelotão, que também tinha sido atingido ao tentar socorrer o seu camarada e amigo.

O Alferes Couto era um homem com cerca de trinta anos que tinha sido incorporado com aquela idade quando era tripulante dum navio da Marinha Mercante. Não sabemos a razão de tão tardia ida para a tropa, nem vem ao caso. Sabíamos sim que ele era casado e era já pai. Muito comunicativo, pouco adaptado aos cerimoniais militares, privilegiava o convívio dos soldados do seu pelotão. Lembro-me de, durante o Curso de Minas e Armadilhas na EPE, Casal do Pote, ele passar horas a jogar matraquilhos connosco no Bar dos Praças daquela Unidade. Era um homem simples e superior ao seu estatuto de oficial.

Como operacional na Guiné, julgo que o Alf Couto já tinha neutralizado e/ou levantado algumas minas antipessoais até que chegou o fatídico dia 6 de Outubro de 1970.

As minas PMD6 utilizadas na Guiné eram traiçoeiras e por vezes difíceis de manusear. Algumas com a humidade do solo, porque eram de madeira deterioravam-se, pelo que retirar a espoleta era uma autêntica lotaria. Não se sabe exactamente o que ele pretendia fazer, só se sabe que a determinada altura chamou o Alferes Bento para lhe dar ajuda. Quando este se dirigia para ele, deu-se a explosão que ainda o atingiu.

Eu, que na altura não era operacional por estar impedido na secretaria onde colaborava, no momento em que tudo aconteceu pude acompanhar junto do rádio o desenrolar dos acontecimentos.

Depois de removido o cadáver do Alf Couto e de o Alf Bento ter recolhido à enfermaria para posteriormente ser transferido para o HM 241 [Hospital Militar de Bissau], havia que voltar ao local do incidente para continuar a neutralizar as outras minas detectadas.

Recebi então ordem do Comandante da Companhia para avançar e dar continuidade ao trabalho que ficou por acabar. Chegado ao local fatídico, estavam assinaladas duas minas antipessoais guardadas por alguns militares completamente consternados. Ao verem-me, desejaram-me as maiores felicidades.

Assim, comecei por juntar às minas detectadas uns pedaços de TNT, que iriam ser accionados por detonadores pirotécnicos alimentados por cordão lento, porque na altura ainda não dispunha de disparador eléctrico. Claro que isto exigiu que eu andasse por ali às voltas. Examinei tanto quanto pude o terreno por onde iria correr enquanto o cordão ardesse e um local para me proteger quando aquilo tudo explodisse. Pus o pessoal em bom recato, peguei fogo ao rastilho, corri e abriguei-me, esperando pela detonação. Quando esta aconteceu, fui ao local ver o resultado e reparei que, em vez de duas crateras correspondentes às duas minas detectadas, tinha três. Na realidade não havia duas, mas sim três minas, sendo que a terceira não tinha sido detectada e eu não a pisei por mero acaso e sorte. Esta rebentou com as outras por simpatia.
Missão cumprida e retorno ao quartel onde o constrangimento era geral. Ainda estava fresco o cadáver dum camarada, que não veria crescer os filhos deixados em casa aos cuidados da mãe, há apenas seis meses. Tinha acontecido a nossa primeira baixa.

A partir desta data fiquei com a responsabilidade das actividades relacionadas com as Minas na Companhia, porque o alferes substituto do camarada Couto não tinha o Curso de Minas e Armadilhas. Fiz algumas patrulhas em que o meu Pelotão não tomava parte, porque desde que o 1.º ou o 2.º Pelotões fossem passar em zonas minadas ou armadilhadas por nós, era exigida a minha presença ou a do Sousa, meu camarada especialista em Minas e Armadilhas que integrava o 4.º Pelotão.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

P31 - Tivemos notícias da família do nosso malogrado camarada Alf Mil José Armando Couto

1. No passado dia 14 de Julho recebemos esta mensagem da jovem Custódia Couto:

Boa Noite,
O meu nome é Custódia Couto, tenho 26 anos e sou neta do José Armando Santos do Couto.
Como devem calcular, nunca tive oportunidade de conhecer o meu Avô, tal como ele também não teve a possibilidade de conseguir conhecer a última filha dele, que só a viu por fotografia.


Em tempos, eu fiz um trabalho para a escola acerca do meu Avô que me valeu uma óptima nota. Hoje por um devaneio de pesquisas, decidi pôr o nome dele no Google a ver se existiam mais documentos acerca dele na altura em que faleceu e por acaso dei com o vosso blog que me deixou muito emocionada e Feliz.

Posso tentar arranjar-vos uma fotografia do meu Avô para que vocês consigam completar a informação que colocaram dele no blog. Como neta e orgulhosa tanto do meu Avô como da minha Avó, terei muito gosto em vos ajudar.

Para a minha Avó que ainda é viva, saber de uma coisa destas é deixá-la muito Feliz pois sempre teve o meu Avó Zé como um exemplo.
Da união tiveram 4 filhos, a minha Mãe (que infelizmente faleceu este ano vitima de AVC com 47 anos) mais os meus 3 tios, a última fez este ano 41 anos, o mesmo tempo que tem o meu avô de falecimento (comprova-vos que não estou a mentir acerca do parentesco).

Aguardo noticias da vossa parte.

Com os melhores cumprimentos me despeço,
Custódia Couto.


2. Enviei esta mensagem resposta à nossa amiga Custódia:

Cara amiguinha Custódia
Que prazer enorme saber notícias da família do meu camarada Alferes Couto.
Ainda bem que nos escreveu porque não há uma foto do seu avô nos nossos arquivos. Tudo o que tiver dele mande-nos digitalizado para publicarmos no nosso Blogue. Eu sou editor de outro blogue de ex-combatentes da Guiné onde terei o maior prazer de lembrar a memória de seu avô, uma pessoa excepcional, sem o mínimo de jeito para as burocracias militares. Dava-se com toda a gente e não distinguia um soldado de um oficial.

Fizemos os dois a Especialidade na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, ele como oficial e eu como sargento. Quis o acaso que fôssemos os dois para o Curso de Minas e Armadilhas na Escola Prática de Engenharia em Tancos e fomos ambos para a Madeira dar instrução e mais tarde irmos na mesma Companhia para a Guiné. Ele era o Comandante do 4.º Pelotão e eu um dos Furriéis do 3.º
O destino foi cruel para ele porque o vitimou com uma mina, e eu que o substituí nas suas funções após a sua morte, nunca esqueci o que lhe aconteceu e tive sempre o máximo cuidado.
Apesar de tudo, por duas vezes, uma das quais momentos depois de ele falecer, me ia acontecendo também um percalço.
Para já fico por aqui, pois não sei até que ponto a avó conseguiu ultrapassar a morte do marido.

Não me lembrava do número de filhos que tinham, pensava serem só dois. A sua mãe faleceu muito nova infelizmente, o que somado ao passado deve ter deixado marcas profundas na sua avó. Se bem me lembro ela era funcionária dos Correios. Ou estou a inventar? Já lá vão muitos anos, mas a imagem do Alferes Couto está bem nítida na minha memória.
[...]
Espero as fotos do avô e as suas próximas impressões.
Desculpe não ter respondido mais cedo.
Muito obrigado pelo seu contacto.

Receba um beijinho deste velho(te) companheiro de seu avô.
À senhora sua avó diga que o marido era querido pelos seus militares e que todos sentimos a sua ausência. Não são palavras de circunstância porque a esta distância dos acontecimentos, não têm razão de o ser.

Carlos Vinhal
Ex-Fur Mil da CART 2732
Guiné 1970/72


3. E obtive esta resposta:

Caro Carlos,
Fiquei muito contente de receber noticias suas pois pensei que não tinham recebido o meu e-mail.
É com muito orgulho que vou tentar fornecer tudo o que exista de fotografias para vos poder enviar do meu Avô.


Eu não tive oportunidade de o conhecer em pessoa, mas a minha Avó sempre fez muita questão de nos fazer respeitar todos os valores que o meu Avô um dia deixou na casa dele em Queluz, onde fui criada com muita educação.

A minha Avó, neste momento, encontra-se num misto de emoções, entre a tristeza e a alegria... a perda e o reencontro! Está fraca pela minha Mãe, mas quando lhe disse que o Marido até já tinha sido homenageado após os 40 anos da sua morte, vi-lhe um belo sorriso nos lábios que me deixou ainda mais orgulhosa. Porque se alguém tinha Orgulho do meu Avô Zé, esse alguém sempre foi a minha Avó Zé (Zé também por ser nome de baptismo dela.).

Tenho todo o gosto em tentar enviar-lhe o melhor e por isso vou tentar ser o mais breve possível.

Muito Obrigada pela sua resposta e Muito Obrigada por ter tido o prazer de estar com o meu Avô.

Com todo o respeito me despeço, um beijinho e um abraço,
Custódia Couto.


4. Entretanto recebemos esta mensagem sugestiva do nosso camarada Juvenal Pereira

Razão tem quem diz que a vida, afinal, nunca acaba. É extraordinário o facto de passarem 40 anos sobre a sua morte e alguém - concretamente a sua neta - "ressuscitar" o seu avô, o nosso querido e saudoso Alferes Couto, cujas virtudes não vale a pena aqui pormenorizar, pois o meu amigo Carlos Vinhal já o relatou à neta Custódia com toda a clareza e veracidade.
Se levarmos por diante a iniciativa de para o ano (2012) comemorarmos na Madeira o 40º aniversário do regresso da Companhia 2732, com a presença do maior numero de militares de então (madeirenses e continentais e respectivas famílias) a exemplo do que foi feito o ano passado comemorando a data da partida, muito gostaríamos de contar com a presença da esposa, desta neta ou mais familiares, aqui no Funchal, para que, infelizmente a titulo póstumo, pudéssemos prestar uma singela, mas sincera homenagem, ao homem e militar que foi o Alferes Couto.
Se o meu amigo puder fazer chegar este "convite-sugestão" à "nossa amiguinha" Custódia Couto seria muito bom... se bem que o momento seja particularmente difícil para esta jovem que acaba de perder a mãe prematuramente, a cuja dor me associo, endereçando os meus mais profundos sentimentos de pesar.

Um abraço.
Juvenal Pereira

terça-feira, 17 de maio de 2011

P30 - As nossas datas (3): Lembrando o nosso camarada José Silvestre Nunes Vieira, falecido no dia 17 de Maio de 1971 por motivo de acidente

Hoje, dia 17 de Maio de 2011, faz 40 anos que faleceu, por motivo de acidente, no Hospital Militar n.º 241 de Bissau, o nosso camarada José Silvestre Nunes Vieira, Soldado Atirador, casado, natural da freguesia de Água de Pena, concelho de Machico, Madeira.
Este camarada que estava impedido na Messe de Oficiais, sofreu um acidente quando se deslocava para um dos postos de vigia do aquartelamento de Mansabá para cumprir o seu período de serviço.

De salientar que este camarada, que estava emigrado na Venezuela, compareceu voluntariamente no Funchal para cumprir o serviço militar obrigatório, tendo sido mobilizado para a Guiné, em cumprimento de uma comissão de serviço integrado na CART 2732.

Honremos a sua memória.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

P29 - As nossas datas (2): Lembrando o nosso camarada Artur Malcata de Matos, falecido no dia 16 de Maio de 1971 por motivo de doença

Hoje, dia 16 de Maio de 2011, faz 40 anos que faleceu no Hospital Militar n.º 241 de Bissau, por motivo de doença, o nosso camarada Artur Malcata de Matos, solteiro, natural da freguesia do Socorro, Lisboa.
Este camarada, que era Soldado Atirador, tinha substituído em Fevereiro do mesmo ano, na CART 2732, o Soldado Atirador José de Sousa Jardim, transferido da Companhia por motivos disciplinares.

Mais um camarada que jamais esqueceremos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

P28 - Venham todos venham cá ver / o quanto custa viver / nesta terra que é Mansabá


Em comentário feito no Poste 7767 publicado no Blogue Luís Graça e Camaradas da Guiné, o nosso camarada Rogério Cardoso (ex-Fur Mil da CART 643/BART 645 que esteve em Bissorã nos anos de 1964/66), revelou a letra de uma canção dedicada às condições então vividas em Mansabá.

Caro amigo Ernesto
[...]
A respeito de Mansabá, um camarada nosso adaptou um poema à musica LA MAMMA, cantada na altura por Charles Aznavour. A sede do Batalhão estava em Mansoa e quando porventura por lá "poisava", a malta era sempre tramada.

Um abraço
Rogério Cardoso
CART 643 - "Aguias Negras"



Venham todos venham cá ver
o quanto custa aqui viver
nesta terra que é Mansabá


Uma vida de comoções
constantemente em operações
sem termos acomodações
como te adoro! Oh Mansabá

Sós na caserna sem ninguém
com um cinema de ano a ano
cheios de saudade de alguém
Oh Mansabá da minha alma

Quando queremos o correio
nunca aparece um avião
mas surgem logo três ou quatro
para fazer uma operação

E quando alguém para descansar
vai a Mansoa, só por isso
dizem-lhe logo ao chegar
que amanhã entras de serviço

Oh! Mansabá e Bissorã
o teu descanso não tem igual
faz reviver os corações
e para preocupações,
preferimos as operações
mas jamais, jamais, jamais
sede de batalhões!!!!
__________

Vd. também o Poste Guiné 63/74 - P7785: Cancioneiro de Mansabá (1): Vamos todos cá ver / O quanto custa aqui viver / Nesta terra que é Mansabá... (Rogério Cardoso) publicado no Blogue Luís Graça

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

P27 - Álbum fotográfico de Ernesto Duarte, ex-Fur Mil da CCAÇ 1421/BCAÇ 1857 (Mansabá, 1965/67)

Com a devida vénia ao nosso camarada Ernesto Duarte que foi Fur Mil na CCAÇ 1421, que esteve em Mansabá nos idos anos de 1965/67, publicamos diversos panfletos de ação psicológica e umas fotos de Mansabá, que ele nos enviou e autorizou a publicar no nosso Blogue, documentos representativos daquela época.


Vista aérea da povoação e aquartelamento de Mansabá

Vista aérea do aquartelamento de Mansabá

Ernesto Duarte, na então picada de acesso à porta de armas

Em 1970 já este acesso ao aquartelamento estava alcatroado

Ernesto Duarte no quartel da Mansabá

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

P26 - PETIÇÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA E AO GOVERNO

Caros amigos e ex-camaradas:

Desde o passado dia 8 de Janeiro de 2011 que foi lançada, publicamente, a PETIÇÃO "Os ex-combatentes solicitam ao Estado Português o reconhecimento cabal dos seus serviços e sacrifícios".

É óbvio que o sucesso da mesma dependerá da adesão que ela merecer por parte de todos os ex-combatentes e dos cidadãos que se revêem nesta luta.

Há que vencer a info-exclusão, transmitindo aos que não têm Internet e não a querem ter, que poderão, com a ajuda dos que a têm, VOTAR/ADERIR/CONCORDAR/ASSINAR.

Solicito e agradeço, desde já, à Comunicação Social, a todos os ex-camaradas e cidadãos anónimos que desenvolveram BLOGUES ou PÁGINAS DE INTERNET, que noticiem, de forma visível, este facto e, se possível, coloquem o texto da petição e o link para aceder à mesma.

Agora, é só esperar que obtenhamos um mínimo de 4.000 assinaturas, para, de seguida, enviar a petição aos Órgãos do Estado a que se destina: Assembleia da República e Governo.

Se pensarmos que, só nas guerras de África, foram mobilizados cerca de 900.000 militares, ficaria muito satisfeito que se obtivesse 1% de adesões.

Agora poderei dizer que a "bola" está do nosso lado. É necessário chutá-la e marcar golo na outra baliza!

Inácio Silva

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

P25 - Álbum fotográfico do ex-Alf Mil Alfredo Montezuma e do ex-Fur Mil César Dias do BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)

Vista aérea da Mansabá

Vista parcial da Tabanca de Mansabá

Vista parcial da Tabanca de Mansabá

Mesquita de Mansabá

Mulheres junto ao fontenário

Vendedores de rua

Vendedores de rua

Azáfama na Tabanca

Coluna auto

Porta D'Armas do Quartel de Mansabá

Interior do aquartelamento

Interior do aquartelamento, imediações da pista de aviação

Aspecto da Enfermaria militar, atingida por fogo IN no dia 12NOV70

Enfiamento da pista de aviação

Helicópteros no ar, Operação em curso

Helicópteros no ar, Operação em curso

Helicópteros no ar, Operação em curso

Peça de Artilharia pronta para o que der e vier


Quem sabe o nome deste abrigo?

Quem sabe o nome deste abrigo?

Quem sabe o nome deste abrigo?

Quem sabe o nome deste abrigo?

Abrigo do Moinho

Metro a metro se foi fazendo a estrada a caminho de Farim

Pessoal civil empregue na obra de prolongamento da estrada alcatroada

Aspecto da frente de trabalho

Destacamento de Madina Fula para apoio aos trabalhos

Coluna auto provavelmente a caminho de Mansoa

Plantação de ananases

Momentos de descontração na Messe de Sargentos.  Sentados: à esquerda o Fur Mil Mec Auto Dias e ao centro o Fur Mil Vinhal. Por de trás do Dias está o Fur Mil Vaguemestre Costa, e por trás deste o Fur Mil Santos. Todos da CART 2732. Por trás do Vinhal dois Furs Mils do Pel Caç Nat 57: ? e Espanhol, tocando gaita. Em cima à esquerda, o Fur Mil César Dias do BCAÇ 2885. O restante pessoal são Furs Mils da 27.ª CComandos

Messe de Sargentos. Em primeiro plano com óculos à ceguinho, o Fur Mil Enf.º Marques (CART 2732), por de trás o Fur Mil Espanhol (Pel Caç Nat 57) e à direita, atrás o Fur Mil César Dias.

Messe de Sargentos. À esquerda o Fur Mil Pilav Galinha Dias, ao centro um camarada da 27.ª CComandos e à direita o Fur Mil César Dias do BCAÇ 2885.  Que os une? São os três naturais de Torres Novas.
Atrás do balcão, o nosso camarada Oliveira, Soldado Condutor Auto da CART 2732, impedido do Bar de Sargentos

O Fur Mil César Dias todo artilhado

Mais um pormenor das obras da construção da estrada Mansabá-Farim

Vista Parcial do Destacamento de Madina Fula

Vista parcial do Destacamento de Madina Fula

Mais uma foto da Enfermaria militar atingida por fogo IN no dia 12NOV70.

Memorial a uma das Unidades que passaram por Mansabá

Fur Mil César Dias

Interior do aquartelamento. Edifício do Posto Civil e bandeira nacional hasteada

Piscina de Mansabá. Quem tomou ali banho?
__________

Nota dos editores

Os nossos agradecimentos aos camaradas ex-Alf Mil Alfredo Montezuma e ex-Fur Mil César Dias do BCAÇ 2885, Mansoa, 1969/71, pela cedência e autorização da publicação destas fotos.