sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

P79 - Mensagem natalícia e de Boas Festas, 2022/2023, enviada aos camaradas da CART 2732

1. Hoje mesmo foi enviada pelo coeditor deste Blogue uma mensagem natalícia aos camaradas da CART 2732, dos quais conhecemos os endereços electrónicos:

Ilustres camaradas da CART 2732 e amigos
Se em todos os dias da vida não esqueço a Guiné e os meus companheiros de luta, é nesta quadra que me vem ao pensamento os Natais de 1970 e 1971, em Mansabá, quando e onde fomos uma verdadeira família.

Assim, venho mais uma vez junto de vós para vos desejar, assim como aos vossos familiares, um Santo Natal e um excelente 2023.

Com amizade, deixo-vos um forte abraço
Carlos Vinhal

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2. A primeira reacção já surgiu, foi do "nosso Alferes" Rodrigues:

Meus Amigos, fiquei extremamente sensibilizado com o teor da mensagem natalícia enviado por Carlos Vinhal, nomeadamente o facto de nunca se esquecer da Guiné e dos seus companheiros de luta. Partilho desse sentimento.
Daqui, de Torres Vedras, onde vivo há quase 50 anos, também lanço os meus votos de um Santo Natal e um próspero Ano Novo. E permitam-me acompanhar tais votos com palavras de Francisco, escritas no próprio ano em que foi eleito Papa.

“Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino;
sois rico, e fizestes-Vos pobre;
sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil.”

Papa Francisco, Natal 2013

Luís Filipe Rodrigues
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quarta-feira, 29 de junho de 2022

P78 - Notícias dos nossos camaradas (9): José João Pereira Pontes, radicado em Inglaterra, ex-1.º Cabo Atirador do 2.º Grupo de Combate da CART 2732

No passado dia 17 de Maio de 2022, recebemos esta mensagem de Helena Cláudia Pontes, filha do nosso camarada José João Pereira Pontes, ex-1.º Cabo Atirador da nossa CART 2732:

Olá, Bom Dia,
Hoje eu encontrei uma mensagem a pedir para o meu Pai, José João Pereira Pontes contactar-vos.
O email dele é josejpp@hotmail.co.uk
Ele vai ficar muito contente.

Muito Obrigada
Helena Claudia Pontes


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No mesmo dia foi enviada ao nosso amigo Pontes, com conhecimento à sua filha Helena, esta mensagem:

Caro camarada da CART 2732, José João Pereira Pontes
Recebemos o mail da sua filha Helena, abaixo, o que muito nos alegrou porque ficamos a saber do paradeiro de mais um companheiro. Pelo email deve estar na Inglaterra. Acertei?
Confesso que assim de momento não me lembro de si, só em presença de uma foto da época se poderia fazer luz.
Eu sou o antigo furriel Vinhal, do 3.º Pelotão do alferes Bento. O Pontes de que pelotão era?
Vamos tendo contacto com alguns companheiros, tanto madeirenses como continentais. Já nos encontrámos no Funchal em 2010, era para se repetir este ano mas o COVID veio alterar tudo. Se bem se lembrar, fez em Março passado 50 anos que regressámos.
O seu conterrâneo Inácio criou um blogue para a nossa Companhia onde vou publicando algumas coisas, às vezes tristes, como quando é o caso de algum falecimento dos nossos amigos.
Veja aqui o que publicamos até agora: https://cart2732.blogspot.com/
Há muitas fotos, veja se se vê em alguma.
Se quiser, mande-me uma foto sua do tempo da Guiné e outra actual para eu publicar no nosso Blogue e dar a notícia do seu contacto, graças à sua filha de quem apreciamos o gesto.
O nosso contacto é cart2732@gmail.com e o meu, pessoal, é carlos.vinhal@gmail.com
Fico à espera da sua resposta.

Receba um abraço e os votos de boa saúde do seu velho camarada de armas
Para a Helena o nosso agradecimento e um beijinho em nome de toda a CART 2732.

OBS: - Anexo uma foto do meu pelotão, onde sou o primeiro à esquerda de cócoras, e outra da minha secção onde estou de cócoras com o Ornelas. Veja se reconhece alguém.
Carlos Vinhal


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Ainda no mesmo dia recebemos esta mensagem da Helena, filha do Pontes:

Olá, boa noite,
Recebi agora o email, o email do meu Pai é da inglaterra. Estamos a viver aqui há 32 anos.
O meu Pai estava no 2.• Pelotão de Alferes Rodrigues.
Ele pediu para mandar certas fotos.


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Aqui ficam para a posteridade as fotos do nosso companheiro Pontes, radicado na Inglaterra, e que em Mansabá militou no 2.º Grupo de Combate do nosso Alferes Rodrigues.
Para o Pontes desejamos, bem como à sua família, muita saúde e felicidades.
Ficamos ao seu dispor para, sempre que queira, nos contactar ou enviar fotografias.
Especialmente para o Pontes e sua filha o nosso abraço.

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

P77 - Votos de excelente 2022, especialmente, para a malta da CART 2732 (Carlos Vinhal)


No passado dia 31 de Dezembro de 2021 enviei à malta da CART 2732 de quem tenho o endereço de correio electrónico, a seguinte mensagem:

Caros camaradas
Penalizando-me por não ter enviado os meus votos de Feliz Natal aos meus amigos e camaradas de armas, aqui estou para vos desejar, assim como aos vossos familiares e amigos, um excelente 2022, especialmente com saúde, e a libertação final deste maldito "micróbio" que não nos desampara a loja.

Para todos vós a minha amizade.
Carlos Vinhal


À minha mensagem responderam, fazendo assim prova de vida: O senhor Coronel Carlos Abreu, Comandante do COP 6 em Mansabá, o Luís Marques, nosso Furriel Enfermeiro; os ex-furriéis Ismael Santos e Luís Pires do 1.º e/ou 2.º pelotões, e o Eugénio Branco, furriel da Artilharia.
Muito obrigado fico pela deferência da vossa resposta.

Por telefone ainda falei com: o Reis Pedro, nosso 1.º Cabo Auxiliar Enfermeiro, com quem vou falando ao longo do ano; o João Malhão, das Transmissões e com o Inácio Silva, o Ornelas e o Rodrigues Vieira, três estimados amigos, com os quais mantenho contacto regular, representantes dos nossos camaradas madeirenses.

Bom seria que, por qualquer dos meios que temos ao nosso dispor, nos mantivéssemos em contacto para irmos sabendo uns dos outros porque de vez em quando lá vem a triste notícia de mais um amigo que foi transferido para o batalhão celestial.
Aqui fica o repto

Abraço
Carlos Vinhal
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

P76 - In Memoriam: Falecimento do nosso camarada João Carlos Rodrigues de Freitas, ex-1.º Cabo Atirador da CART 2732, ocorrido no passado dia 29 de Dezembro de 2021

Mais uma triste notícia veiculada pelo nosso amigo e camarada de armas, José Manuel Rodrigues Vieira, agora a do falecimento do ex-1.º Cabo João Carlos Rodrigues de Freitas que em Mansabá esteve "impedido" na Messe dos Oficiais.

Nesta foto, da esquerda para a direita: Fonseca, Vinhal, João Carlos e Sousa


Recorte do DNotícias.pt, que aqui reproduzimos com a devida vénia

À família e amigos do João Carlos apresentamos as nossas mais sentidas condolências.

Mais um camarada partiu, e outros terão partido sem que soubéssemos, o que torna cada vez menor o efectivo dos que da lei da morte ainda se não libertaram.

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sábado, 29 de maio de 2021

P75 - In Memoriam: Falecimento do nosso camarada Eusébio Elmano da Silva Rodrigues, ex-Soldado Atirador da CART 2732, ocorrido no passado dia 25 de Maio de 2021

Mais uma triste notícia veiculada pelo nosso amigo José Manuel Rodrigues Vieira, desta feita a do falecimento do camarada Eusébio, se bem me lembro, um dos bravos do abrigo de Bissorã. Tenho-o bem presente na memória, sempre enrolado em fitas de munições da sua inseparável MG42.

Recorte do DNotícias.pt, que aqui reproduzimos com a devida vénia

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Aos familiares e amigos do nosso camarada Eusébio, especialmente à sua esposa, filhos e netos, deixamos o mais sentido pesar pela perda do seu ente querido.

A "família" da CART 2732 acaba de perder mais um dos seus bravos.
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quinta-feira, 13 de maio de 2021

P74 - In Memoriam: Falecimento do nosso camarada Manuel dos Reis Pinto de Abreu, ex-Soldado Atirador do 1.º Pelotão da CART 2732, ocorrido no passado dia 11 de Maio de 2021

A notícia do falecimento do camarada Pinto de Abreu chegou ao conhecimento do Blogue através do José Manuel Rodrigues Vieira a quem agradecemos o permanente contacto e a difusão das boas e más notícias.

Recorte do JM - Madeira, que aqui reproduzimos com a devida vénia

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À família do camarada Manuel dos Reis Pinto de Abreu, especialmente à sua esposa e filhos, endereçamos o nosso mais sentido pesar pela perda do seu ente querido.

A "família" da CART 2732 perdeu mais um dos seus membros, ficamos tristes e mais sós. ____________

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

P73 - In Memoriam: Falecimento do nosso camarada Luís Quintino Neto Duarte, ex-1.º Cabo Atirador da CART 2732, ocorrido no dia 23 de Janeiro de 2021

Foi deixado este comentário no P2 - Efectivos que fizeram parte da CART 2732:
Informo que Luís Quintino Neto Duarte, meu tio, faleceu no passado dia 23 de janeiro de 2021, no Funchal.
Hoje, dia 26/01 realizou-se o funeral no cemitério de São Martinho, Funchal
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Nota do editor:

À família do nosso malogrado companheiro, que ora nos deixa, apresentam, os editores e os demais camaradas, as mais sentidas condolências.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

P72 - Boas Festas para a grande Família da Madeirense CART 2732


Os Editores deste Blogue, Inácio Silva e Carlos Vinhal, desejam aos camaradas da CART 2732 e seus familiares, um Santo Natal, vivido com saúde e alegria, e que o ano de 2021 faça esquecer este 2020 de má memória.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

P71 - O Estatuto e o Cartão do Antigo Combatente - Documento para tirar dúvidas

Caros camaradas da 2732 e não só.
Tendo visto nas redes sociais muitas dúvidas e informações incorrectas acerca do Estatuto e do Cartão do Antigo Combatente, achei por bem publicar este documento chegado à minha mão através de um nosso camarada de armas.
Espero que seja útil.

 

Para aceder ao documento completo, clicar neste link:

https://drive.google.com/file/d/1Bh_x-oWbY5e92ed2D88WKGg6yTW3qa55/view?usp=sharing
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segunda-feira, 13 de abril de 2020

P70 - No dia 13 de Abril de 1970, a CART 2732 embarcou no Cais do Funchal, no navio Ana Mafalda, com destino à Guiné (Carlos Vinhal, ex-Fur Mil Art MA)


Se dos fracos não reza a História, da História da CART 2732 e dos seus valorosos Combatentes, reza que hoje se completam 50 anos após o seu embarque no Cais do Funchal, no navio Ana Mafalda, com destino à Guiné, onde chegaram no dia 17 para cumprir uma esforçada comissão de serviço de 23 meses.

Companhia de quadrícula, esteve aquartelada em Mansabá durante 22 meses, onde deixou muitos amigos e saudades entre a população.

Cais do Funchal, 13 de Abril de 1970 > Os Governadores do Distrito e Militar passam revista à CART 2732

Cais do Funchal, 13 de Abril de 1970 - Desfile da CART 2732 antes do embarque.


Foi este o efectivo da CART 2732 que embarcou no navio Ana Mafalda

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Notas:

São estes os que embora "não achando quem armas lhes resistisse" acabaram por sucumbir no cumprimento da sua missão, não voltando connosco:

a) - O Alf Mil Art MA José Armando Santos do Couto, faleceu em combate em 6 de Outubro de 1970
b) - Soldado José do Espírito Santo Barbosa, faleceu no HMP em 14 de Dezembro de 1971, vitima de ferimentos recebidos em combate no dia 2 de Dezembro.
c) - Soldado Manuel Vieira faleceu em combate no dia 2 de Dezembro de 1971.
d) - Soldado José Silvestre Nunes Vieira faleceu vítima de acidente de viação  em 17 de Maio de 1971.

Há ainda a registar o falecimento por doença, em 16 de Maio de 1971, do Soldado Artur Malcata de Matos, integrado na CART 2732 já na Guiné.

A estes 5 saudosos camaradas de armas, neste dia, a nossa homenagem.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

P69 - "Funchal, Um Roteiro Militar a Visitar", artigo publicado na página "Operacional"

Com a devida vénia à página "OPERACIONAL", reproduzimos o artigo "FUNCHAL, UM ROTEIRO MILITAR A VISITAR",  ali publicado no passado dia 27 de Novembro, que diz muito a nós antigos combatentes da CART 2732, madeirenses e continentais.

Aqui fica a reportagem e o convite.

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Por Miguel Machado • 27 Nov, 2019

Depois de quase uma centena de metros nas entranhas do Pico da Cruz que domina o Funchal, descendo por uma escadaria apertada, saímos para o ar-livre e…uma vista espectacular sobre o Oceano Atlântico, as Ilhas Desertas e o anfiteatro natural onde se desenvolve a cidade. Esta vista é um dos trunfos do “turismo militar” que o Exército está a dinamizar no Funchal, através do Roteiro do Turismo Militar.

A antiga Bataria Independente de Defesa da Costa n.º 2 instalada em 1940, no Pico da Cruz, Ilha da Madeira, manteve-se operacional durante a Guerra Fria e só foi desactivada em 1996. Sempre sob controlo militar – ao contrário de muitas outras no Continente – o que a salvou, é hoje um Núcleo Museológico aberto ao público. Autêntica pérola do Património Histórico Militar português do século XX – ao nível do melhor que há no estrangeiro e não há melhor em Portugal – integra o Roteiro do Turismo Militar da Madeira do Exército Português, em desenvolvimento.


Bataria do Pico da Cruz

Além das escolas da Região Autónoma da Madeira esta fortificação do século XX tem outro público específico, maioritariamente anglo-saxónico mas que está a crescer em todo o mundo: os que gostam de história militar. Esta antiga Bataria de Artilharia de Costa aqui instalada em 1940 durante a 2.ª Guerra Mundial para defender o porto e possíveis locais de desembarque inimigo, manteve-se durante a Guerra Fria e esteve operacional até 1996. Está num estado de conservação excepcional.

Durante a 1.ª Guerra Mundial o Funchal foi por duas vezes atacado por submarinos alemães, em 1916 e 1917, os quais causaram avultados danos materiais na cidade, afundaram navios na baía e provocaram nestas últimas acções dezenas de mortos entre os tripulantes e mesmo quase uma dezena de portugueses que numa barcaça abasteciam de carvão a canhoeira “La Surprise”. A reacção portuguesa veio de batarias instaladas no Fortes de São Tiago e da Vigia, mas sem qualquer efeito, as nossas peças tinham alcances inferiores às dos submarinos que bombardearam o Funchal.

Com o início da 2.ª Guerra Mundial em 1939, e logo das operações alemãs no Atlântico, o governo de Portugal decidiu tomar precauções e Salazar mandou elaborar os estudos que conduziram ao Plano de Defesa da Ilha da Madeira que contemplava entre outros aspectos a instalação de unidades de artilharia de defesa da costa e antiaérea.

Esta bataria trata-se de “…uma obra fortificada da Artilharia de Costa, incluindo três plataformas das peças e respectivos paiolins, com galerias de comunicação e órgãos de comando e serviços… …teve a sua construção iniciada em 5 de Julho de 1940, num local escolhido pelo seu perfeito domínio sobre os dois melhores locais de desembarque existentes na Ilha da Madeira: a Baía do Funchal e a extensa Praia Formosa… …139 dias após o inicio da fortificação, em 21 de Novembro de 1940, foi entregue à denominada Bataria Independente de Defesa da Costa n.º 2…”. Aqui foi feito fogo real pela primeira vez logo nesse mês de Novembro de 1940 e embora mantendo-se operacional até 1996, os últimos exercícios de fogos reais com munições calibre 15cm foram algures na década de 70, passando-se depois a realizar tiro com os redutores de calibre 40mm (os quais aliás estão hoje expostos na bataria), sobretudo para evitar causar danos nas construções que cada vez mais iam surgindo no litoral da ilha.

Recebeu três peças Krupp de fabrico alemão, modelo 1898 calibre 15cm, e tem várias galerias subterrâneas com o necessário para ali se viver e combater.

A Bataria tem galerias subterrâneas quer na área das peças quer nos postos de observação/observatório. A guarnição de mais de 100 militares podia ali viver e combater. O edifício do Comando Operacional da Madeira foi ali construído nos finais dos anos 80 do século XX. Mais à direita fica o Regimento de Guarnição n.º 3 que mantém o Núcleo Museológico da Bataria.

Nestas duas imagens é bem evidente a localização escolhida para a sua instalação.

A generalidade dos sectores da Bataria está identificado com legendas ou mesmo quadros explicativos como este em que se mostram imagem da época em que funcionavam junto aos memos locais. Atrás de cada peça havia – enterrados – dois destes paiolins, um para as munições (este) e outro para os invólucros/cargas. O envio das munições para a guarnição no exterior era através daquele orifício na parede com as “calhas de transporte” (na imagem uma com um projéctil amarelo.

Impressiona não só a dimensão de alguns assessórios, como a sua quantidade, e estado de conservação.

Ao longo dos anos a unidade foi guardando mesmo os primeiros assessórios que entretanto foram substituídos/modernizados e assim hoje a panóplia destes artigos é enorme. As munições de 15 cm não eram das maiores – no Continente havia as 23,4 cm – mas ainda assim não são pequenas.

Todo o espaço nas galerias era aproveitado, nomeadamente para colocar os beliches da”guarnição”.

Parte dessas camas são agora expositores onde se estão a colocar os muitos elementos museológicos disponíveis. Em breve estarão protegidos por acrílico.

As galerias até têm espaço muito razoável, permitem andar bem em pé, agora o acesso às peças é mesmo exíguo e requer cuidados.

Ao contrário do que aconteceu em muitas batarias no Continente que depois de serem desactivadas foram mesmo abandonadas pelo Exército, esta estava junto ao Regimento de Guarnição n.º 3 – criado em 1993, herdeiro entre outras unidades das sucessivas: Bataria Independente de Defesa da Costa n.º 2; Bataria de Artilharia de Guarnição N.º 2; Grupo de Artilharia de Guarnição N.º 2 – e ao edifício do Comando Operacional da Madeira, em 1990.

O Regimento de Guarnição n.º 3 do Exército preservou as armas e mais do que isso, são inúmeros os assessórios desde aparelhos de pontaria a munições (inertes), passando por mapas, camas, telefones, ferramentas e as próprias instalações subterrâneas, e ainda os observatórios, mais acima, também subterrâneos, junto ao Pico, estes em estado de preparação para poderem ser visitados mais atrasados, mas também em óptimo estado de conservação.

Acresce a estas instalações – que já são visitadas – um agradável espaço junto à entrada principal da Bataria onde há por exemplo uma peça antiaérea rodada, calibre 40mm, 39.55T1 (de origem francesa), designada entre nós por M/42 60, está previsto a instalação de um bar e esplanada de apoio ao este espaço museológico.

Aqui está a Krupp 15cm modelo 1898. Atrás da arma, ao centro a pequena porta da escadaria de acesso, e depois de cada um dos lados, as protecções dos orifícios por onde se recebiam os projécteis e os invólucros/cargas.

Ao contrário de muitas outras armas noutras baterias em Portugal – mesmo as que estão cuidadas como a da Bataria da Lage ou do Forte do Alto do Duque – estas não foram (e muito bem!) desmilitarizadas, logo têm todos os seus componentes.

Depois da visita às galerias subterrâneas um passeio pelo exterior para tomar contactos com as enormes peças. Só tubo pesa 5 toneladas e em 1940 o transporte para este local e a sua instalação em tempo recorde – numa construção feita à força de braços – foi uma obra notável.

Estes intercomunicadores do PO para as peças já foram dos últimos melhoramentos introduzidos no sistema de comunicações interno.

Mesmo junto ao Pico, os Observatórios/Postos de Observação fortificados.

Nas galerias interiores dos PO – as camas recolhidas – os equipamentos que permitam transmitir os dados de tiro às armas depois de efectuadas as observações e cálculos.


Cá fora percebe-se bem porque foi este local escolhido!

Junto a esta AA 40mm – que já na entrada da Bataria – será instalado um bar de apoio e esplanada. A vista merece bem!


Bataria do Pico de São Martinho

Um quilómetro a Norte, no Pico de São Martinho, outra bataria agora de Artilharia Anti-Aérea Fixa foi instalada em 1942 também para defesa do Funchal. A vista espectacular e as quatro peças britânicas Vickers calibre 9,4 cm M/40 MK II, estiveram operacionais até 1969, agora também elas têm nova missão a cumprir!

O material Vickers 9,4cm fixo, foi aqui colocado em 1942 e esteve operacional até 1969. Agora está a ser “pronto para revista”, tem nova missão a cumprir!

Esta Bataria está no interior da Unidade de Apoio da Zona Militar da Madeira que veio ocupar este local quando o Grupo de Artilharia de Guarnição Nº 2 foi extinto em 1993. Mais uma vez, o facto da Bataria estar no interior de uma unidade que nunca foi abandonada acabou por garantir a sua preservação. Está em adiantado estado de preparação para receber visitas tendo já as peças sido recuperadas e algumas até já pintadas (inicio de Novembro de 2019).

Não vamos aqui desenvolver a história destas unidades mas não deixamos de assinalar que uma outra bataria antiaérea fixa foi instalada “do outro lado” do Funchal, em Palheiro Ferreiro. O pessoal inicial de ambas as batarias fazia parte de forças expedicionárias enviadas do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves N.º 1 de Cascais.

Segundo alguns autores o material 9,4cm, não só pelas suas características mas também pela localização das batarias podia fazer fogo contra alvos de superfície reforçando a artilharia de costa. O material mais ligeiro e móvel, isto é, as 4cm (como a que vimos no Pico da Cruz) e as metralhadoras pesadas quádruplas de 20mm e 12,7mm (que o RG 3 mantém em depósito para fins museológicos), estava destinado a bater alvos a muito baixa e baixa altitude, e imagino que deverão também vir a ser expostos. As armas de Palheiro Ferreiro viriam a ser desmontadas em 1994.

Além das armas estas batarias incluíam um conjunto de equipamentos, pelo menos parte importante deles (ou todos, não sabemos!) ainda estão em depósito: preditor mecânico; radar, geradores, projectores de iluminação, parabolóides de escuta, altímetros, binoculares, e outros.

A Bataria de Artilharia Antiaérea no Pico de São Martinho e a sua localização relativa no Funchal e ao Pico da Cruz e RG 3.

Os trabalhos estão a correr em bom ritmo, não faltará muito para esta bataria estar pronta a ser visitada.

Da esquerda o Coronel Paulo Vaz, comandante da Zona Militar da Madeira em regime de suplência, Major-General Carlos Perestrelo antigo Comandante da ZMM, Tenente-Coronel Afonso Rodrigues, comandante da Unidade de Apoio da ZMM e um funcionário da firma que está a reparar as armas.

Mais uma vez aqui a localização/vista sobre o Funchal, as Desertas e o Oceano, antes um “factor táctico” a levar em linha de conta, agora é um trunfo turístico.

Dois ou três dias depois de deixarmos o Funchal uma das 9,4cm já estava assim: impecável!


Roteiro do Turismo Militar da Madeira

Estas duas autênticas pérolas do património histórico-militar português do século XX e também da história da 2.ª Guerra Mundial estão incluídas no Roteiro do Turismo Militar da Madeira que está em marcha e que tem uma peça fundamental no pequeno mas bem organizado Museu Militar da Madeira e deverá ainda incluir o Paiol Geral do Funchal, invulgar construção militar cedido à Liga dos Combatentes. Já lá iremos.

Aqui chegados convém lembrar que a oferta turística da Madeira já inclui o Percurso Histórico-Militar do Centro do Funchal da Câmara Municipal do Funchal, em pleno funcionamento. Tem 17 paragens sobretudo edifícios, muitas fortificações que foram militares ao longo dos séculos e inclui o Museu Militar da Madeira (do Exército) na Fortaleza de São Lourenço, onde também se encontra o Comando da Zona Militar da Madeira.

Percurso Histórico-Militar: Miradouro de Santa Catarina; Fortaleza do Ilhéu; Forte de São José da Pontinha; Fortaleza de São João do Pico; Muralhas da Rua Major Reis Gomes; As baterias de Santa Catarina, São Lázaro e Fontes; A Fortaleza e Palácio de São Lourenço; Baluarte Joanino e fontes de João Dinis; Baluartes de Mateus Fernandes; Baluarte do Castanheiro; Baluarte do Governador; Reduto da Alfândega; Portão dos Varadouros; Fortaleza de São Filipe do Largo do Pelourinho; Muralhas da Ribeira de João Gomes; Muralha do Morro da Pena; Forte novo de São Pedro; A Muralha do Corpo Santo; Fortaleza de São Tiago; O molhe de cais de São Tiago; largo de Santa Maria Maior ou do Socorro.

O Paiol Geral do Funchal está neste momento recuperado e tem boas condições para integrar o Roteiro. Está desde 2008 entregue à Liga dos Combatentes que dele cuida e lhe dá uso. Na imagem, à direita, o tenente-coronel Bernardino Laureano, presidente do Núcleo do Funchal, um dos maiores do país em número de associados, que aqui inclui alguns estrangeiros.


Paiol Geral do Funchal

Trata-se de um invulgar edifício, circular, actualmente está em muito bom estado de conservação, foi cedido à Liga dos Combatentes, que utiliza também na sua área várias construções recentes (gabinetes de trabalho, biblioteca, capela, bar, miradouro) mas mantém o edifício principal como espaço polivalente. “…A história deste prédio militar remonta ao princípio do seculo XIX fruto da necessidade de se encontrar uma solução para retirar da fortaleza do Pico toda a pólvora que lá se encontrava armazenada e que constituía perigo para a cidade do Funchal… …concluídas as obras em 1825, conforme ficou inscrito na porta exterior do edifício, sob as armas reais (das poucas que nos edifícios militares escaparam à purga republicana de 1910), acabou por perder utilidade já no século XX com a evolução dos sistemas de armas que obrigou à construção de outros paióis. Passou então a ser utilizado como arquivo da Zona Militar da Madeira…”

A arquitectura do Paiol é digna de registo, o local também, e o seu interior pode bem albergar elementos de interesse museológico. As actividades normais do Núcleo da Liga decorrem em modernas instalações muito bem “anexadas” ao edifício.

Pelas suas características e localização, mesmo que nos pareça o edifício original necessite de alguma definição sobre a sua ocupação, é certamente uma mais-valia se for integrado no Roteiro Histórico Militar.


Museu Militar da Madeira

Nascido nos anos 90 do século XX o museu passou por várias vicissitudes, esteve fechado uns anos, e actualmente podemos caracterizá-lo do seguinte modo. Tem três áreas principais dedicadas, à Madeira no Contexto da Expansão Portuguesa, à História Militar da Madeira e às Fortificações e infraestruturas militares da Região. Do seu acervo podemos destacar: “…uma colecção que diz respeito a peças e morteiros de artilharia, em bronze, de várias origens e épocas, do qual merece lugar de destaque um morteiro em Bronze de grandes dimensões de fundição portuguesa de 1704; outra colecção de armamento ligeiro, composta por várias espingardas e mosquetes de pederneira de finais do século XVII e princípios do século XVIII… … o conjunto arquitectónico da antiga Casa da Guarda, com tectos em abóboda e as magníficas portas originais em madeira de Til, espécie pertencente à Laurissilva da Madeira…”

Factos histórico-militares do século XX na Madeira ou nos quais os militares madeirenses tiveram participação relevante estão aqui lembrados com peças seleccionadas, sobretudo armas, e painéis com fotografias e texto: 1.ª e 2.ª Guerras Mundiais; Revolta da Madeira em 1931; Invasão do Estado do Estado Português da Índia; Guerra do Ultramar; Missões de Paz.

O Museu Militar do Funchal, na Fortaleza de São Lourenço está aberto ao público e dispõe de áudio-guias em 4 línguas o que julgamos ser inédito no panorama nacional dos museus militares.

Os três principais espaços do Museu foram muito bem adaptados á finalidade e, mais recentemente está a expandir-se para a zona da Cisterna e da cave da Torre Joanina.



Uma única nota menos boa neste museu militar do Exército, a abordagem escrita no painel alusivo à Guerra do Ultramar – com o título “os ventos da história…” – não nos pareceu correcta, carece de algum distanciamento, tem linguagem próxima da usada pelos que nos combateram. Foi uma guerra como tantas outras, não se percebe esta politização. De relevar o facto de mais de 15.000 madeirenses terem combatido em Angola, Moçambique e Guiné.

Trata-se de um pequeno mas bem organizado museu, está aberto ao público com horário e mostra-nos os factos marcantes dos últimos 600 anos de actividade militar na Madeira. Além dos áudio-guias em 4 línguas (português, inglês, francês e alemão) que julgo mais nenhum militar em Portugal tem, dispõe agora de uma sala de “efeitos digitais” (e outros…surpresa!), onde assistimos a filme em 3D no qual em 7 minutos seis séculos de presença militar são apresentadas num registo quase épico, emocionante mesmo, não fugindo aos desaires que também os houve.

Ainda no Palácio de São Lourenço, integrado no Museu mas no Baluarte Joanino foi possível já este ano abrir novas salas ao público, “…permitindo a exposição da evolução da Bandeira Nacional e, desta forma, dar início ao trabalho com o Serviço Educativo do Museu Militar… …expostos alguns quadros que mostram o sistema defensivo do Funchal no princípio do século XIX.”

Fora dos olhares do público mas representando muito trabalho que certamente a seu tempo trará efeitos positivos no conhecimento da História Militar, também visitamos os Arquivos da Zona Militar da Madeira.

Guarda ao Palácio, Pelotão do RG 3 e Banda Militar da Madeira participam na Cerimónia de Arriar da Bandeira Nacional do passado Domingo, 3 de Novembro de 2019.


Uma nota final para um acto com as maiores tradições na Madeira, aos primeiros domingos de cada mês, e feriados, muitos madeirenses e turistas assistem ao hastear e ao arriar da Bandeira Nacional com a Banda Militar da Madeira no Palácio de São Lourenço. Em 2018, Alberto João Jardim, antigo Presidente do Governo Regional resumia assim a sua importância:

“O Quartel-General da Madeira, na Fortaleza de São Lourenço, para além da História acumulada entre as suas paredes e de concretizar a estampa urbana do Funchal, consagra uma pedagogia de Pátria ao longo de sucessivas gerações.
Desde miúdos, com as cerimónias ao domingo junto do seu mastro principal, logo nos fomos apercebendo do Valor e significado da Bandeira e do Hino Nacional, mesmo antes da iniciação escolar.
Bem como, relacionado, intuíamos o significado e a necessidade da Instituição Militar.
Ainda pela mão dos nossos pais, ao primeiro toque de clarim aprendíamos o porquê e o quando do ficar em sentido. Enquanto os carros paravam e as pessoas porventura sentadas, se levantavam. Em tempos de usar chapéu, as cabeças descobriam-se em respeito…”


"Um dia na Zona Militar da Madeira do Exército Português"
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Texto, fotos e legendas: © Operacional
Fixação do texto e edição das fotos: Carlos Vinhal
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