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terça-feira, 10 de setembro de 2019

P67 - In Memoriam: Falecimento, no mês de Agosto, do nosso amigo e camarada de armas, ex-Alferes Miliciano Manuel António Casal

A notícia chegou ontem abruptamente ao meu conhecimento por intermédio do Francisco Baptista, comandante do 4.º Pelotão, que tentou contactar o Casal. Atendeu-o a esposa que lhe deu a notícia do triste desenlace, ocorrido há sensivelmente três semanas.

Eu tinha contactado telefonicamente o Casal por alturas do Natal, como fazia habitualmente, tendo ele referido que tinha sido submetido a uma intervenção cirúrgica. Como me disse que o pior já tinha passado, sinceramente não dei muita importância à situação. Longe de imaginar que afinal a coisa era muito complicada.

A sua esposa, filhas, netos e demais familiares, aqui ficam as mais sentidas condolências dos seus camaradas da CART 2732.

O Alferes Casal era mesmo um bom homem, respeitador e cordial. Comandou a nossa CART nos momentos mais complicados sem virar a cara à luta e à responsabilidade que lhe caía, a cada passo, sobre os ombros. Se bem me lembro, tivemos 6 capitães como Comandantes de Companhia, sendo que nos intervalos era o Casal que assumia o comando, sempre pronto para o que desse e viesse.

Aqui fica a nossa homenagem póstuma com algumas fotos que o recordam:

Cais do Funchal, 13 de Abril de 1970 - Desfile da CART 2732 antes de embarcar no navio Ana Mafalda com destino à Guiné. À direita da foto o Alferes Miliciano Manuel Casal que comandou a Companhia logo no embarque.

O Alf Mil Manuel Casal, ao centro, junto do Furriel Enfermeiro Luís Marques

Quartel de Mansabá - Messe de Oficiais - Abril de 1971 - Na festa de aniversário do Cap Mil Jorge Picado. Manuel Casal, sentado à esquerda da foto.

Arruda dos Vinhos, 2009 - Manuel Casal no encontro do pessoal da CART 2732

Em 2010 - Manuel Casal no ex-GAG 2 - S. Martinho - Funchal - Daqui saiu em 1970 a CART 2732, comandada por ele com destino à Guiné.

Minde, 2018 - Encontro do pessoal da CART 2732 - O ex-Alf Mil Manuel Casal ladeado pelos ex-alferes milicianos Francisco Baptista e Nunes Bento

Minde, 2018 - Manuel Casal cumprimenta a Isabel, esposa do Ornelas.

Minde, 2018 - O ex-Cap Mil Jorge Picado abraça os seus ex-alferes, Bento e Casal. À direita o ex-alferes Baptista

Minde, 2018 - Foto de Família do encontro do pessoal da CART 2732. O ex-Alf Mil Manuel Casal entre o ex-Alf Mil Baptista e o Coronel Carlos Abreu.

A devida vénia aos autores das fotos

Carlos Vinhal
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sábado, 1 de outubro de 2011

P34 - Como cheguei a Comandante da CART 2732 (Ex-Cap Mil Jorge Picado)

Com a devida vénia ao Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, publicamos parte de um texto e algumas fotos que o nosso ex-Comandante, Cap Mil Jorge Picado, enviou para aquele Blogue para publicação.


Como cheguei a Comandante da CART 2732

Por Jorge Picado

Sendo um individualista naquela guerra, uma vez terminada a Comissão do BCAÇ 2885 e, por conseguinte ter deixado o comando da CCAÇ 2589, esta sim a minha CCAÇ (ainda que tivesse ficado com a dúvida se os seus nativos me adoptaram ou não) em que permaneci durante 356 dias (24FEV70-15FEV71), apresentei-me no QG em Bissau com uma virtual corda ao pescoço a aguardar o enforcamento.
Ingénuo como sempre, sem conhecimentos pessoais naqueles corredores, quer do QG do CTIG quer do COMCHEFE, mas também sempre avesso a situações de favor (leia-se cunhas), nem o facto de ter encontrado no Clube de Oficiais um Major do Estado Maior mais velho, mas que reconheci por ter feito os estudos secundários no velho Liceu José Estêvão de Aveiro e creio que natural de Albergaria-a-Velha, colocado não sei em qual das Repartições desse QG, nem a ele resolvi recorrer para qualquer arranjinho na minha colocação. Aguardava serenamente que se apiedassem de mim por já ter experimentado um ano de mato e me concedessem o resto da comissão como férias em Bissau.
Mas durante esse período acabei por perder a ingenuidade e expurgar-me das razões éticas ou moralistas sobre as ditas situações de favor. Não tinha aprendido nada com a mobilização de 2 camaradas (do CPC e do ISA) que foram colocados em Bissau, que sempre me deixaram na dúvida, mas com o que ocorreu a seguir, aprendi.
Não tenho qualquer pejo de fazer estas afirmações, porque era o que sentia. O destino obrigou-me a vaguear por aquelas paragens contra a minha vontade. Obrigou-me a desempenhar papéis para os quais nunca senti o mínimo de preparação e muito menos vocação.
Apenas para que possam avaliar estas minhas confidencias acrescento esta nota muito particular. O meu saudoso sogro gastou dois anos a tentar fazer de mim caçador (arte lúdica de que ele tanto gostava, fornecendo-me todo o material em troca apenas da minha companhia nessas andanças) e teve de desistir antes de há terceira aselhice ficar com a filha viúva, mas que ironia, o Governo de então fez-me não só caçador, mas mais… comandante duma Companhia de Caçadores! E esta, hem? Como diria o falecido e conhecido Fernando Peça.

Quem tem amigos assim, não precisa de inimigos
Mas voltemos a Bissau.
Fiquei aboletado, não sei se era este o termo usado, num quarto (daqueles destinados aos oficiais em trânsito, como aliás tinha acontecido quando da minha chegada ao TO) das instalações do Clube de Oficiais.
Nesse mesmo quarto onde pernoitava, por infelicidade… ou talvez não, instalou-se igualmente pouco tempo depois o Capitão X (não me fica bem mencionar o seu nome, ainda que seja daqueles que até hoje nunca esqueci), do Quadro Permanente e Comandante da CART 2732. Como já éramos conhecidos em virtude da actividade do meu período anterior (fundamentalmente desde Novembro de 1970 com a protecção das colunas para Mansabá), naturalmente se estabeleceu o diálogo entre ambos.
Tinha vindo, não para tratar de assuntos da sua unidade, mas para consultas ao HM 241, no intuito, como honestamente me confessou, de tratar da sua saúde.
Assim, pela sua conversa e pelos cantos do Clube lá fui sabendo que havia vagas e até mesmo fora da capital mas num lugar calmo, como naquela época era o CAOP 1 em Teixeira Pinto onde faltava pelo menos 1 Capitão, admitindo eu não ser descabido mais uma vez sonhar com a fuga aos lugares de sofrimento. E o meu camarada de quarto ia-me animando.
Depois de regressarmos das nossas tarefas diárias matutinas, ele da sua deslocação ao Hospital Militar e eu da minha visita ao QG para receber novas sobre o futuro ou acompanhando o Alferes que me tinha substituído na Comissão Liquidatária (CL) da CCAÇ para o ajudar sempre que preciso (a esta distância ainda me causa uma certa indignação a forma como o Exército tratava os individualistas como eu.
Deixei de pertencer à CCAÇ no cruzamento da estrada Mansoa-Nhacra para o Cumuré, onde todo o BCAÇ se instalou até ao embarque, enquanto eu fui directamente para o QG, mas a responsabilidade até ao encerramento da CL continuava a ser minha, como já em Mansabá acabei por constatar!!! Foi outra guerra que tive de travar quase até ao fim da Comissão), era habitual encontrarmo-nos no quarto para uma banhoca antes do almoço e invariavelmente questionava-me:

- Então já tem colocação?
- Não. - Ia sendo a minha resposta.
- E o seu caso? - Indagava eu.
- Vai correndo bem…

A certa altura anunciou-me que para já… seria uma licença para tratamento… não regressando por enquanto ao seu posto…
Enfim, os dias iam correndo, mas como atrás referi esta minha Companhia tinha-me finalmente aberto os olhos, à cautela, e depois de saber quem comandava o CAOP 1 e que se encontrava de férias na Metrópole, abordei o assunto num telefonema para casa. Havia uma possibilidade, desde que um certo intermediário quisesse, de obter aquele lugar em Teixeira Pinto e dessa vez deitei fora todos os escrúpulos do recurso às cunhas.
Afinal não passava dum mero miliciano e sem vocação para tais artes militares e o exemplo do meu camarada de caserna liquidou a minha moralidade.

O Cap Domingos fica a conhecer o seu subtituto
O pior foi no dia 5 de Março, uma má sexta-feira, quando no QG me informaram que tinha sido colocado no DA, além do QO, indo em diligência para a CART 2732 substituir, durante o seu impedimento o respectivo Comandante.
Iam-me caindo os ditos cujos aos pés ao receber logo a respectiva Ordem de Marcha que me meteram nas mãos, para que não houvesse dúvidas.
E eu, que naquela altura já tinha recebido um feed back positivo de que a lança tinha sido metida e a resposta era favorável a uma ida para o CAOP 1, como depois se confirmou. Nem calculam o que mentalmente lhe chamei...
Ao chegar ao quarto e perante a cena do costume, quase sem o encarar só lhe respondi:

- Fui colocado na CART 2732. Sigo amanhã para Mansoa.

Fez-se silêncio. Nem sequer um pedido de desculpa ouvi. Saiu imediatamente como um foguete.
Desapareceu, nunca mais o vi, porque nessa noite não foi dormir ao quarto...
E assim fui comandar durante uns dias a CART 2732.

Junto algumas fotos dessa estadia.

Um abraço
Jorge Picado


Mansabá, 11 de Abril de 1971 - O nosso Capitão Jorge Picado festejou um dos seus aniversários em Mansabá. Nesta foto, da CART 2732, de pé: Alf Mil Bento, Cap Jorge Picado e Alf Mil Rodrigues; à esquerda, sentado no chão, Alf Mil Manuel Casal.

Mansabá, 13 de Abril de 1971 - Dia do batizado da filhota do senhor José Leal. O Cap Jorge Picado à direita da foto

Mansabá, 13 de Abril de 1971 - Dia do batisado da filhota do senhor José Leal. Jorge Picado segura a miúda juntamente com o pai.

Mansabá - Messe de Oficiais no tempo do Cap Mil Jorge Picado, na foto, de pé, ao centro.

(Fotos: Jorge Picado. Legendas: Carlos Vinhal)

Nota de CV:
O Cap Mil Jorge Picado comandou a CART 2732 entre o dia 8 de Março e o dia 29 de Abril de 1971

sábado, 24 de janeiro de 2009

P6 - 18 de Janeiro de 2009 - Antigos Combatentes da CART 2732 encontram-se em Arruda dos Vinhos - Organização de Reis Pedro e João Malhão

O camarada Reis Pedro fez questão de nos receber em sua casa antes de rumarmos ao restaurante onde decorreria o almoço
Ex-1.º Cabo Aux Enf.º Jorge Rodrigues
Inácio Silva e esposa
João Malhão e esposa
Reis Pedro e esposa
Ex-Fur Mil Op Esp Luís Pires e esposa
Ex-Fur Mil Carlos Vinhal e esposa
Cor Carlos Abreu e ex-Alf Mil Nunes Bento
Ex-Fur Mil Gardete Correia
Ex-Sold Manuel Ferreira e ex-Fur Mil Mecânico Dias Santos
Ex-Furs Mil Francisco Fonseca e Ismael Santos
Ex-Cap Mil Jorge Picado e ex-Sold Alfredo Gouveia
Ex-Fur Mil TRMS José Lourenço e família
Ex-Soldado At Manuel Ferreira
Martini e família
Ex-Sold Radiotelegrafista Pinheiro Miranda
Ex-Alf Mil Manuel Casal
Bolo comemorativo, oferta do ex-Alf Mil Nunes Bento
Foto de família com todos os participantes
Na foto: Cor Carlos Abreu; Ex-Alf Mil Brito Ribeiro; ex-Alf Mil Nunes Bento; ex-Fur Mil Vinhal e ex-Sold TRMS João Malhão
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

P1 - Breve historial da CART 2732 - Mansabá/Guiné, 1970-1972

Mansabá 1970/72

Guiné

Região do Oio


Texto de Carlos Vinhal (ex-furriel miliciano)

Adaptação de Inácio Silva (ex-1.º cabo)

A 13 de Abril de 1970, no porto do Funchal, a CART 2732 embarcou no navio ANA MAFALDA, com destino à GUINÉ, onde desembarcou a 17 de Abril de 1970.

A CART2732 foi constituída em 23 de Fevereiro de 1970, tendo como Unidade Mobilizadora a BAG 2, sita no Pico de S. Martinho, no Funchal, Ilha da Madeira.

A sua concentração fez-se na Posição Fortificada do Palheiro Ferreiro, destacamento daquela Unidade.
A maior parte do seu pessoal era originário da Ilha da Madeira, com excepção dos Oficiais, Sargentos e Praças Especialistas.

Em 7 de Abril de 1970, a CART2732 recebeu o seu Estandarte. No dia 13 de Abril realizou-se no Cais do Porto do Funchal a cerimónia de despedida da Companhia. Ao acto estiveram presentes o Governador do Distrito Autónomo do Funchal, Coronel Braancamp Sobral e o Comandante Militar da CTI da Madeira, Brigadeiro Nascimento.

A CART 2732, sob o comando interino do Alf. Mil. Art. Manuel Casal, embarcou nesse mesmo dia, cerca das 12H00, no navio Ana Mafalda, que largou, pouco depois, com destino à Guiné.

No cais ficou uma multidão de populares, familiares e amigos dos militares, que ali se deslocaram para assistirem à cerimónia de despedida, embarque e partida da Companhia. A CART2732 desembarcou no cais de Bissau pelas 16H00 do dia 17 de Abril de 1970, ficando alojada em tendas de campanha no Depósito de Adidos.

No dia 20 de Abril realizou-se a parada de apresentação da Companhia ao Comandante-Chefe do CTI da Guiné, General António de Spínola. Na manhã do dia seguinte, seguiu para Mansabá [entre Mansoa e Farim, na região do Oio], onde chegou cerca das 13H00, para render a CCAÇ 2403. Neste mesmo dia, Mansabá foi flagelada pelo IN com morteiro 82 e armas ligeiras, causando 16 feridos na população. Assim estava consumado o baptismo de fogo.

A CART 2732 ficou administrativa e operacionalmente dependente do BCAÇ 2885, sediado em Mansoa. Por sua vez a minha Companhia ficou com o Pel. Caç. Nat. 57; o Pel. Art. 21; o Pel. Mil 253; 1 Esquadra de Morteiros 81 e 2 AML Daimler, como adidos. A Companhia ficou com uma ZA de aproximadamente 1036 Km2.

No dia 22 de Abril de 1970 assumiu o Comando da CART 2732 o Capitão de Inf Carreto Maia, ex-comandante da CCAÇ 2403, em substituição do Capitão Prego Gamado que tinha dado baixa ao HMP [Hospital Militar Principal] antes do embarque no Funchal.

No dia 20 de Junho de 1970 a CART passou a ser comandada pelo Capitão de Art José Maria Belo para substituir o Capitão Carreto Maia que tinha terminado a sua Comissão de Serviço na Guiné. Em Setembro de 1970 o Capitão José Maria Belo deu baixa ao HMP.

Em Outubro de 1970 assumiu o comando da Companhia o Capitão de Art Domingos Alberto Pinto Catalão que por sua vez baixou ao HM241 em Fevereiro, Março e Junho de 1971. Em Agosto de 1971 foi evacuado definitivamente para o HMP.

Em 11 de Novembro de 1970 a CART 2732 deixou de pertencer ao BCAÇ 2885, passando a estar integrada no Comando Operacional n.º 6, reactivado pela necessidade da construção da estrada Mansabá-Farim. O COP6 ficou instalado em Mansabá e a CART apoiou, fornecendo todos os meios logísticos necessários à sua operacionalidade.

Em Outubro de 1971 assumiu o comando da CART o Capitão Mil Armando Vieira dos Santos Caeiro. Na ausência de capitães, o comando da Companhia foi sempre assegurado pelo Alf Mil Art Manuel Casal.

Em 17 de Janeiro de 1973, a CART 2732 completou 21 meses de Comissão na Guiné. E em 21 desse mês, completou 21 meses de permanência em Mansabá.

No dia 8 de Fevereiro de 1972 começou a rendição pela CCAÇ 2753, pelo que 2 Gr Comb da CART2732 partiram para Bissau. No dia 23 de Fevereiro os 2 últimos Gr Comb da CART deixaram Mansabá com destino a Bissau.

No dia 19 de Março de 1972, cerca das 18H00, um avião da FAP partiu do aeroporto de Bissau levando a bordo a CART2732 com destino a Lisboa, onde chegou cerca das 23H30. Os militares da Ilha da Madeira seguiram no dia seguinte para o Funchal.

É nossa obrigação lembrar a memória daqueles que partiram do Funchal e que não regressaram connosco.

São eles:
Alf. Mil.º Art.ª MA Couto que em 6 de Outubro de 1970 foi vítima do rebentamento de 1 mina A/P;
Soldado Malcata que em 16 de Maio de 1971 faleceu por motivo de doença;
Soldado Silvestre que em 17 de Maio de 1971 faleceu por motivo de acidente;
Soldado Vieira que em 6 de Dezembro de 1971 foi morto numa emboscada;
e, por fim, 
Soldado Barbosa que foi ferido na mesma emboscada, acabando por morrer no HM 241 em 17 de Dezembro de 1971.

Por eles diremos sempre PRESENTE.


Carlos Vinhal / Inácio Silva
Fonte: Companhia de Artilharia 2732 - História da Unidade 1970-1971-1972
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