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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

P96 - Um certo dia na Guiné (Juvenal Pereira)

Já lá vão muitos anos, algumas décadas, quando fomos mobilizados para a Guiné -hoje conhecida como Guiné Bissau – onde decorria a guerra para a independência daquela antiga Província Portuguesa.

Não vamos falar dos sentimentos de tristeza, de amargura, de frustração de todos aqueles jovens que se viam obrigados a deixar, uns, os seus trabalhos, outros, os seus estudos e todos as suas famílias, os seus amigos, a sua respetiva terra, no fundo as suas vidas, umas mais difíceis que outras, mas todas incomparavelmente mais seguras, mais harmoniosas e onde começavam a dar os primeiros passos para a construção da sua estabilidade e do seu futuro.

E, pior que tudo isso, o medo que possuíam de poderem ir e não mais voltar.

Aliás, o que, infelizmente, iria acontecer.

Muitos foram e não regressaram mais para junto dos seus entes queridos, outros vieram com marcas gque carregaram até ao fim das suas vidas e outros ainda hoje sofrem os efeitos dessa fase triste da sua vida.

Bom, mas não é bem isto o que nos levou a escrever este apontamento, nem falar da justiça ou injustiça da guerra ou se estávamos lá por direito próprio ou, afinal, quem devia lá estar eram russos, chineses, americanos ou outros a “explorar “aquele povo – tal como o povo moçambicano e angolano – como dizem os novos donos daqueles agora países, relativamente aos portugueses.

O que nos levou a escrever este apontamento foi num determinado dia uma conversa que mantivemos com um nativo, porventura um homem simples que desempenhava as funções de “alfaiate “sentado atrás de uma modesta máquina de costura num local bem próximo da sua tabanca.

Homem simples, já o dissemos, provavelmente analfabeto, mas que, pelos vistos, sabia melhor da sua terra e das suas gentes do que que bandos de idiotas doutorados que andaram e ainda andam por aí a falarem do que não sabem, a dizerem o que nunca viram e a comentar sobre aquilo que não percebem.

A conversa com este “homem da tabanca “era simples, versava assuntos rotineiros, do dia a dia que, passados todos estes anos, já não nos recordamos para pormenorizar, mas houve uma pergunta que lhe fizemos e a resposta que obtivemos que jamais nos saiu do pensamento.

- O que acha sobre a independência da Guiné? Na sua voz pastosa, calma e serena e após olhar ao nosso redor para certificar-se que estávamos sós, e no seu português aprendido não na escola, mas na convivência com os militares portugueses, respondeu-nos da seguinte maneira: Aí da gente se a Guiné for um dia mandado por gente da nossa cor!

Existe mais ódio entre as várias etnias do que aquele que é sentido com os portugueses.

Não precisamos de fazer mais comentários, estes 50 anos de independência não têm mostrado outra coisa.

Também este apontamento não pode deixar de se referir às palavras grosseiras e mal-educadas de um indivíduo em Angola que aproveitou o momento solene dos 50 anos da independência daquele País e perante todos os convidados, incluindo o Presidente da República Portuguesa para dizer ou querer dizer que o mal de Angola vem da colonização dos portugueses.

Para nós não vem da colonização dos portugueses, vem da miserável descolonização dos portugueses após abril de 74.

Se em muitas situações, Angola – e não só - está pior do que há 50 anos a culpa é pura e simplesmente daqueles que têm governado os respetivos Países.

Se muito do seu povo passa fome e vive em degradadas situações num país, por exemplo, com as riquezas naturais de Angola é porque os milhões gerados têm supostamente seguido rumos que não são os do bem-estar da população e desenvolvimento do país.

Procurem os que foram e os que são culpados e não arranjem bodes expiatórios.

JUVENAL PEREIRA
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sexta-feira, 18 de abril de 2025

94 - Em dia de recolhimento, o estado actual do mundo em que vivemos visto pelo nosso camarada Juvenal Pereira

CRISTO, NÃO VENHAS CÁ EM BAIXO VER ISTO!

Jesus, faz muitos anos que Te pregaram na Cruz. Todos aqueles que creiam em Ti e Te amam de verdade, não esquecem essa barbaridade.
E por saber que apesar do teu sofrimento profundo, prometeste voltar um dia a este mundo, é que te escrevemos à pressa, te pedindo para que desistas dessa promessa.

CRISTO, NÃO VENHAS CÁ EM BAIXO VER ISTO!

O mundo está em ebulição permanente, muito pior do que no teu tempo.
Tiveste um Judas e lamentavas tanto, hoje irias encontrar um judas em cada canto.
Para conseguires apóstolos para te seguir com fidelidade, tinhas de lhes prometer carro, casa, dinheiro e bem-estar até a eternidade.
É verdade que não ias encontrar tantos analfabetos, mas irias lidar com muitos incompetentes com mania de espertos.

CRISTO, NÃO VENHAS CÁ EM BAIXO VER ISTO!

A JUSTIÇA é uma trapalhada, não sabemos se por culpa dos juízes ou das Leis mal-amanhadas.
Há criminosos na cadeia - até parece uma brincadeira – vivendo melhor do que muitos cidadãos honestos a trabalharem a semana inteira.
A SAÚDE está no salve-se quem puder, seja criança, homem ou mulher.
No TRABALHO há casos de espantar, há quem mais ganhe no desemprego do que estando a trabalhar.
A CORRUPÇÃO está a tornar-se numa profissão. Com uma enorme vantagem e diferença, ganham-se fortunas imensas, sem descontos para a Previdência.

CRISTO, NÃO VENHAS CÁ EM BAIXO VER ISTO!

Roubos, crimes, violência doméstica, homicídios, pedofilia, são os pães nossos de cada dia, mas encaramos bem porque (dizem) já noutros tempos existia.
CRISTO, se viesses cá em baixo pregar a humildade, a humanidade, lutar contra a desigualdade social, aproximar os pobres dos ricos, criar um teto para os muitos sem abrigo, evitar a morte dos milhares que num sofrimento profundo, morrem todos os dias à fome em muitas partes do mundo, poderiam não te matar, poderias não ser crucifixado, mas certamente como doente mental serias internado.
Os deuses da guerra, do dinheiro, do PODER profundo, os fanáticos religiosos, duros, implacáveis, criminosos, que mandam neste mundo, acredita Jesus nisto, não te perdoariam mesmo sabendo que eras Cristo.
Jesus, se os quiseres castigar como merecem, manda-lhes os castigos do Céu para a terra.
A JUSTIÇA terrena, para eles, é sempre uma JUSTIÇA pequena.

DEUS, deu-nos um mundo para podermos viver em paz, em harmonia, em prosperidade e alegria.
Mas o egoísmo, a ganância, a prepotência, de um punhado de facínoras com muito PODER, mas pouca inteligência, está a transformá-lo num cemitério de ilusões para milhares de gerações.
DEUS, ao contrário do que Jesus um dia te pedia, NÃO PERDOES estes selvagens, porque eles sabem o que fazem.

JUVENAL PEREIRA
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sábado, 23 de novembro de 2024

P92 - 25 de Novembro - Mês e data a não esquecer (Juvenal Pereira)

MÊS E DATA PARA NÃO ESQUECER

Estamos prestes a celebrar o 25 de Novembro.
Muita gente pretende comparar esta data com a do 25 de Abril, mas em nossa modesta opinião, elas têm a ver uma coisa com a outra, mas são rigorosamente diferentes.

O 25 de Abril fez cair uma ditadura já fragilizada, mas, indiscutivelmente, ainda existente e abriu caminho para uma nova sociedade.
Só que, os seus princípios, grande parte dos seus ideais, muito cedo foram traídos e o caminho que estava a seguir o País, se não fora a intervenção do 25 de novembro, nem a LIBERDADE se manteria, nem a nossa entrada na UE se realizaria e, por conseguinte, muitas das coisas obtidas pelo nosso País e pelo nosso povo, jamais seriam possíveis sem a nossa integração na União Europeia.
A tresloucada era denominada de “Gonçalvismo “, onde (quase) tudo de mau era permitido e que nada tinha a ver com o que prometeram os “militares de abril” estava mais próximo de nos levar a uma nova e pior ditadura do que a que tínhamos antes.

O 25 de novembro não só veio (em parte) travar esses atos levados a cabo por alguns denominados antifascistas e outros “ressabiados do fascismo” com a conivência de alguns militares traidores de Abril, como mostrar aos EUA e, muito particularmente, aos nossos então incrédulos vizinhos europeus que, o 25 de Abril não era aquilo que se estava a passar, pois não se identificava nem com atitudes extremistas, nem com qualquer tipo de manifestação selvagem que estavam a acontecer.
Só por isto o 25 de novembro merece ser saudado, tal como, evidentemente, os que nele participaram e a eles devemos (alguns, infelizmente, já falecidos) não estarmos desde essa altura até, provavelmente, aos dias de hoje, transformados numa CUBA ou VENEZUELA da Europa.
Todavia, porém, é legítimo recordar que, o 25 de novembro não conseguiu acabar com toda a selvajaria existente, nem travar por completo os ímpetos gananciosos de muitos daqueles que, à sombra da LIBERDADE e da DEMOCRACIA tiveram e têm tido comportamentos piores do que muitos daqueles que alcunhavam de “fascistas”.
Comportamentos e proveitos. A muita boa gente as cantilenas do “povo unido, nunca mais será vencido” e “o povo é quem mais ordena” junto a outras atitudes deploráveis sempre em nome da democracia e da liberdade, fez-lhes encher os bolsos, tirar cursos, Deus lá sabe como, desempenhar funções para as quais não tinham a mínima competência, mas que lhes geraram ordenados chorudos que lhes permitiram construir reformas – que alguns ainda hoje disfrutam - muito acima dos profissionais com os mesmos cursos, mas que trabalham fora da política.

O 25 de novembro, apesar de ter sido na altura a “tábua de salvação “deste País em queda livre, não conseguiu, infelizmente, travar a onda de oportunistas e sanguessugas que até hoje campeia neste País que merecia muito melhor.
Não nos parece que reze a história de que alguma vez Portugal tivesse tido as ajudas, o apoio, a colaboração em todas as áreas que necessitasse, como obteve nas últimas dezenas de anos, na sequência da sua integração na UNIÃO EUROPEIA.
É verdade que o Portugal de hoje não é o Portugal de há 50 ou 60 anos, como, aliás, não é nenhum país europeu, ou quase todos no mundo inteiro, mesmo sem terem qualquer tipo de revolução.
Só mesmo os que estão debaixo de ditaduras de facínoras religiosos que dizem obedecer a um deus que só existe na cabeça deles; os países subjugados a potencias imperialistas e ditatoriais conhecidas por todos nós ou aqueles povos (que mais nos fere o coração) das nossas antigas Províncias Ultramarinas miseravelmente entregues a bandos tipo HAMAS ou Hezbollah, cujos resultados estão à vista de todos.
O nosso consolo é que, praticamente todos os “negociantes “dessa calamidade já foram prestar contas a Deus ou ao diabo, se bem que as suas vítimas muitas das quais ainda cá estão, não só nas suas martirizadas terras, como em Portugal, incluindo na nossa própria Madeira, a tentar sarar as feridas deixadas por esses irresponsáveis.
É claro que, após reconhecerem o erro cometido andaram perante o País e o povo, querendo se penitenciar com os argumentos de que “já nada se podia fazer “ , cantilena que os seus lacaios ajudaram também a difundir, mas esperamos que esse “ato de contrição” não tivesse influenciado na hora que foram presentes à verdadeira JUSTIÇA que acreditamos que é a JUSTIÇA DIVINA.

Voltando ao 25 de novembro, é data para comemorar, pois certamente não conseguindo atingir na sua plenitude os desejos dos seus corajosos intervenientes, teve a notável e patriótica ação de evitar que caíssemos num profundo e aterrador abismo, do qual, possivelmente, ainda hoje não tivéssemos saído.

Comemoremos o 25 de novembro, sem esquecer, contudo, o pouco-muito pouco - que ainda resta dos Ideais de Abril.

Juvenal Pereira
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